E não sobrou nenhum, Agatha Christie

"Uma ilha misteriosa, um poema infantil, dez soldadinhos de porcelana e muito suspense são os ingredientes com que Agatha Christie constrói seu romance mais importante. Na ilha do Soldado, antiga propriedade de um milionário norte-americano, dez pessoas sem nenhuma ligação aparente são confrontadas por uma voz misteriosa com fatos marcantes de seus passados. Convidados pelo misterioso mr. Owen, nenhum dos presentes tem muita certeza de por que estão ali, a despeito de conjecturas pouco convincentes que os leva a crer que passariam um agradável período de descanso em mordomia. Entretanto, já na primeira noite, o mistério e o suspense se abatem sobre eles e, num instante, todos são suspeitos, todos são vítimas e todos são culpados."
    Vocês já perceberam que eu ando muito leitora de suspense né? Portanto, não poderia faltar um livro da Agatha nas minhas leituras. Desta vez sem Poirot, a autora nos apresenta personagens com personalidades e histórias completamente diferentes, porém com uma coisa em comum: todas carregam o fardo de um segredo. 

     Ao iniciar o livro já me senti presa ao vê-los sendo apresentados, queria descobrir mais sobre cada um deles e seus respectivos passados, analisando cada um deles durante a leitura e já esperando pelo pior. O que eu gosto na escrita da Agatha é a forma como ela me prende, me deixa curiosa e ávida pra desvendar cada mistério que ela teceu. 

    Como diz a sinopse, logo no começo do livro um acontecimento faz com que todos os presentes sejam suspeitos, culpados em potencial, porém também vítimas. Assombrados eles tentam traçar um raciocínio lógico de explicação e procurar maneiras de sair da ilha isolada e voltarem pra casa. Será que eles vão conseguir? Como se não bastasse o enredo genial, Agatha o entrelaçou à um poema de autoria dela, que eu fiz questão de ler e reler várias vezes durante a leitura do livro. Vou deixar o poema aqui:

"Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;
Um deles se engasgou, e então sobraram nove.
Nove soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito;
Um deles dormiu demais, e então sobraram oito.
Oito soldadinhos vão a Devon passear e comprar chiclete;
Um não quis mais voltar, e então sobraram sete.
Sete soldadinhos vão rachar lenha, mas eis
Que um deles cortou-se ao meio, e então sobraram seis.
Seis soldadinhos com a colmeia, brincando com afinco;
A abelha pica um, e então sobram cinco.
Cinco soldadinhos vão ao tribunal, ver julgar o fato;
Um ficou em apuros, e então sobraram quarto.
Quatro soldadinhos vão ao mar, um não teve vez;
Foi engolido pelo arenque defumado, e então sobraram três.
Três soldadinhos passeando no zoo, vendo leões e bois,
O urso abraçou um, e então sobrou dois.
Dois soldadinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então sobrou só um.
Um soldadinho fica sozinho, só resta um;
Ele se enforcou,
E não sobrou nenhum."
 
   É inevitável tentar adivinhar o final. A cada personagem que perdíamos, era um suspeito à menos e outras suposições eram criadas. Duvidei com afinco de dois personagens e acabei acertando no final, mas mesmo adivinhando o culpado, a gente nunca está preparado para como a autora justificará isso. Confesso que eu esperava um pouco mais do final, da explicação dos fatos, porém não deixou de ser um livro maravilhoso. Construído de maneira espetacular e genial. De tirar o fôlego do começo ao fim.


E não sobrou nenhum | Agatha Christie | Globo Livros | 400 Páginas | 4 Estrelas | Skoob

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